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renato kaufmann traduz em seus dois livros tudo o que os homens pensam e sentem ao viverem as descobertas da paternidade
sabe qual a primeira coisa que pensamos ao conhecer o trabalho do jornalista renato kaufmann? "ele é mais do que um pai, ele é um 'pãe'". veja se você concorda: ele "hiperventilou" ao descobrir que sua mulher ana estava grávida, criou um blog-diário para "desabafar" as emoções da gravidez e afirma que "ser pai traz uma série de alterações na vida e uma delas é ficar suscetível às emoções". é ou não é um pai com sintomas de mãe? não achou? então confira esta: "antes de ser pai da lucia, eu conseguia ignorar pedintes na rua com criancinhas no colo, agora fico todo comovido."como ele, muitos pais são, digamos, mais sensíveis e se deixam inspirar e contagiar completamente pelo nascimento de um filho. sorte da ana, da lucia e nossa também, porque através do blog diário de um grávido podemos compartilhar com essa família relatos hilários, bem humorados, sinceros e apaixonados sobre o que os homens pensam e sentem durante uma gravidez.
mantido por kaufmann desde 2008, diário de um grávido virou referência na internet para uma nova geração de pais ativos e mais presentes da educação dos filhos e, em 2011, o blog passou a ser publicado também aqui da ciadasmães!
renato reuniu os melhores posts do blog e incluiu textos inéditos para lançar o livro diário de um grávido, em julho de 2010. um ano depois, ele lança seu segundo livro: como nascem os pais, contando, dessa vez, suas experiências nos primeiros anos de vida de sua filhota.
leitura deliciosa e bem humorada, os dois livros estão à venda aqui na ciadasmães e são, sem dúvidas, 'must-haves' para casais grávidos e pais de primeira, segunda, terceira, infinitas viagens...
confira um trecho do "diário de um grávido":
Dez dias de vida!
E é como se eu conhecesse a carinha dela há milhares de anos.
Sinto que eu era incompleto e não sabia. Ela olha pra mim e sei que macaquinha e eu nos entendemos mais do que posso compreender. Sempre soube que isso era um tipo de imperativo biológico, que permitiu nossa sobrevivência como espécie - mas nunca pensei que esse tal imperativo fosse tão bom! Funciona por isso. Orgasmo, doce e neotenia e voilà! A espécie sobrevive. O lado negro dessa força é o choro - o negócio ressoa no sistema límbico de uma forma irresistível. Se nem os homens das cavernas defenestraram seus bebês15 é porque aquele choro é uma lavagem cerebral da natureza, um comando hipnótico impossível de recusar. Você simplesmente é coagido a resolver. E é de partir o coração.
Enquanto isso, mamãe compete deslealmente pelo amor de Lucia, usando pra isso uma tal "mamada". Compenso contando histórias engraçadas pra ela, o que, admito, faz mais sucesso com a Maria. O duro é a enxurrada de piadas envolvendo a Lucia - e eu sempre estou do lado de lá da piada! É como se um dia Gregor Samsa acordasse transformado em papagaio, ou em português.
Lucia já tomou sol, foi duas vezes ao veterinário, digo, veterinário, digo, pediatra. O negócio preto que ela fazia, a tal graxa chamada mecônio, já virou cocô de verdade. Ser pai é ter orgulho até de cocô. Ela ri, faz caras engraçadas e umas caretas muito expressivas.
Lucia fez dez dias, e arre, como foram bons.
e a introdução do novo "como nascem os pais - crônicas de um pai despreparado":
Introdução
Uma vez, em uma introdução, alguém gritou apressadamente “tira, tira já isso daí!”. No calor do momento nem sempre a gente acerta o alvo. Um vez, em outra introdução supostamente protegida por um negócio mágico chamado anticoncepcional, ninguém tirou nada. Um negócio mágico e salafrário, dado que fiquei grávido de um bebê, um blog e um livro, os dois últimos chamados Diário de um Grávido. O livro e o blog falam do ponto de vista masculino e de uma sucessão de pânicos e desesperos, do dia em que fui avisado de que a Lucia deixara de morar no meu saco até o dia em que ela veio morar na minha casa – passando pelos meses em que ela ocupou o útero da mãe e eu ficava conversando com a barriga. Na gravidez você acha que o desespero vai terminar quando nascer o bebê, você contar os dedinhos, que idealmente totalizam vinte, e vai respirar aliviado. É bom aproveitar a respirada pra tomar fôlego. A fase da gravidez dura só nove meses, mas a fase seguinte dura o resto da vida. A gravidez introduz você à escola da paternidade, mas o parto, longe de ser uma conclusão, é só o começo. E este começo aqui, ou ainda, esta introdução, mesmo estando em um livro também está sujeita a alguém gritando tira, tira já isso daí!”. Se tivesse obedecido este talvez fosse outro livro, mas não, “só mais um pouquinho”... E assim nascem os pais. Da próxima vez que ouvir alguém gritando “tira, tira!”, ou é pra tirar mesmo, ou é pra esconder o cinzeiro, que a polícia está chegando.
site: www.diariogravido.com.br
e-mail: neural@diariogravido.com.br
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