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A vida de Frida Kahlo foi marcada pelo sofrimento, heroísmo e genialidade. Nascida em 1907, perto de Cidade do México, Frida sempre afirmou ter nascido na Revolução Mexicana (1910) para associar seu nascimento ao nascimento do Novo México. Frida adorava mudar fatos de sua vida no intuito de criar um mito em torno de si mesma, pois queria ser lembrada para sempre. 

Este desejo de ser lembrada foi tema central na obra da artista, aparecendo nos diversos auto-retratos que pintou e que realmente eternizaram sua imagem. Havia uma obsessão pela questão da mortalidade e imortalidade, fruto de uma vida marcada por doenças, dores e ameaça constante de morte.

Aos seis anos Frida contraiu poliomielite e teve de ser confinada em seu quarto durante 9 meses. Neste período, criou uma amiga imaginária que viria a se materializar na obra "As Duas Fridas." Ao explicá-la em seu diário, escreveu: "Experimento uma intensa amizade imaginária com uma menina de mais ou menos a mesma idade que eu. Sigo todos os seus movimentos e enquanto ela dança lhe conto meus problemas secretos."

Uma vez superada a poliomielite, Frida Kahlo virou uma "moleca". Aprontava na escola, liderava um grupo de jovens rebeldes e vivia intensamente até que em 1925 sofreu outra tragédia terrível. O ônibus em que viajava colidiu com um bonde e uma barra de metal perfurou seu corpo deixando múltiplos ferimentos, inclusive fraturas da coluna vertebral.

Durante sua longa recuperação, Frida descobriu seu amor pela pintura. Usando uma armação que sua mãe lhe deu e um espelho pendurado acima de sua cama, ela pintou seus primeiros auto-retratos.

Milagrosamente, Frida recuperou a capacidade de andar, mas viveu o resto de sua vida torturada pela dor e pelo cansaço provocados pelas mais de 30 cirurgias a que foi submetida. Casou-se com o muralista mexicano Diego Rivera, que imediatamente reconheceu seu talento e a incentivou a continuar pintando.

Por sua sugestão, Frida Kahlo passou a usar as tradicionais roupas mexicanas, com longos vestidos e saias coloridas e jóias exóticas.

Bonita, inteligente e talentosa, Kahlo foi considerada uma das mulheres mais desejadas do seu tempo. Teve um casamento conturbado, com diversos amantes, muitas viagens e amizades célebres. Realizou três grandes exposições durante sua vida: em Nova York (1938), em Paris (1939) e na Cidade do México (1953).

Pouco tempo antes de morrer, Frida Kahlo teve que amputar sua perna direita, abaixo do joelho, devido a uma infecção por gangrena. Em 13 de julho de 1954, aos 47 anos, ela morreu de causa nunca oficialmente determinada. A última frase de seu diário dizia: "Espero que a partida seja feliz, que eu nunca tenha que voltar."

Até os anos 1990, pouco se sabia sobre ela fora do mundo da arte, mas de repente a artista virou um ícone cultural e ganhou muitos artigos, livros, três documentários e um filme em longa-metragem (2002). Para uma mulher que queria ser lembrada, parece que seu desejo se tornou realidade! Viva Frida!

Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón
(Coyoacán, México, 6 de julho de 1907 — 13 de julho de 1954)

As Duas Fridas (1939)

 

 

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