por vovó eliete.
Eu trabalhei por 11 anos como Secretária Bilingue e por 15 anos como Assistente Bilingue do Presidente em um laboratório multinacional. Enquanto exercia esta última função, eu tinha uma equipe para me ajudar a cuidar das necessidades do Presidente e das necessidades do homem e de sua família. Eu tinha uma vida agitada e precisava cumprir prazos apertados, conseguir “tirar leite de pedra” pois tudo o que não era problema, se tornava um.
Em 1998, o Presidente (meu chefe) aposentou-se e eu ainda continuei exercendo outras funções por mais 5 anos. Nesta época, eu já sonhava em ser avó. Minha filha mais velha havia se casado em 1997 e eu me considerada preparadíssima para ser avó.
Em junho de 2002 eu me desliguei da empresa e me dediquei a cuidar de meu irmão que estava muito doente. Logo depois da minha aposentadoria, minha filha mais nova, que não havia se casado mas estava morando com um rapaz, nos comunicou que estava grávida. Nem posso descrever a minha felicidade e o meu entusiasmo com a notícia!
Em janeiro de 2003, meu irmão morreu, e meu primeiro neto nasceu em 11 de junho deste mesmo ano. O nascimento do Caetano (este é o nome dele) foi 2 vezes importante: primeiro pelo nascimento de meu neto e segundo porque nos ajudou a superar a perda de meu irmão.
Desde os preparativos do enxoval do bebê até o nascimento dele – foi um período de glória! – eu só fazia pensar como ele seria, se tudo sairia bem com ele e minha filha, enfim, foi maravilhoso…
Nesta época, minha mãe já morava comigo e começava a apresentar sinais de algo estranho e que eu não sabia exatamente o que podia ser.
Caetano nasceu – saiu do Hospital São Luiz com nota 10 e minha filha também estava excelente!
Fui para casa de minha filha e uma de minhas irmãs precisou ficar com a minha mãe. Agora eu era avó e precisava me dedicar a este ser que aparecia em minha vida; a dedicação tinha que ser integral e irrestrita.
No final de junho, portanto, 15 dias após o nascimento, tivemos um jantar em homenagem aos 70 anos de um de meus tios, e eu, contra minha vontade, precisei deixar a Cris, minha filha, e Caetano, sozinhos (digo, sem mim).
Lógico que no dia da festa eu fui ao cabelereiro e quando voltei, meu marido estava muito aborrecido. Nosso cãozinho Nicolau estava com problemas na derme e não conseguíamos curá-lo. Apesar de toda a dedicação do meu marido, a doença do Nicolau não melhorava, ao contrário, só piorava. Então, antes de irmos para a festa, fomos ao veterinário, novamente, para tentar descobrir algum tratamento que pudesse ter resultado.
Quando entramos no consultório, o veterinário examinou Nicolau, e meu marido levantou a camiseta e mostrou ao médico como estava a sua barriga – eu não sabia o que estava acontecendo. O veterinário fez uma expressão horrível, fechou a porta do consultório e nos disse, olhando para mim:
- você deve estar do mesmo jeito
eu levantei minha blusa e também havia algumas manchas, coceiras, alergias.
- vocês estão com sarna igual o Nicolau! disse o veterinário.
Vocês podem imaginar qual foi a minha primeira preocupação, claro: e o Caetano? Um bebê recém nascido, tão frágil…
Imaginem que depois desta notícia tivemos que ir a uma festa. Fiquei com medo de cumprimentar as pessoas e de chegar perto de outras crianças. Não contamos nada a ninguém.
Na segunda feira, fui para casa de minha filha porque ela tinha uma consulta com o ginecologista e eu iria levá-la. Cheguei e ela me disse:
- mãe você troca o Caetano porque eu acho que está precisando, e eu tenho que acabar de me arrumar?
- não – eu disse.
- como assim? – ela perguntou
- estou com sarna. – respondi
Não preciso enfatizar que ela ficou apavorada e morrendo de medo por ela e pelo Caetano. Eles foram sentados no banco de trás do carro e, a partir deste dia, até que Nicolau, meu marido e eu estivéssemos curados, eu só podia ver, tanto a Cris como o Caetano, de longe, na porta da casa dela.
Eles não tiveram absolutamente nada, graças a Deus! minhas filhas sempre quiseram cuidar dos bebês – dar banho, trocar fraldas, adormecer, amamentar. Eu ficava para cuidar da infra- estrutura da casa – refeições, roupa, arrumação, cuidar da visitas.
Vocês conseguem imaginar a situação tragicômica que eu vivi? ter que deixar meu neto e minha filha por 35 dias, ele recém-nascido e ela em recuperação. Eu havia feito tantos planos para este período, sonhado tanto com estes dias…
Foi tão revoltante que eu estou processando o hospital aonde o Nicolau foi tratado.
e foi desta forma, tragicômica, que eu iniciei a minha vida de avó.












