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16 de novembro de 2011

attachment parenting e o sono dos bebês

meses atrás, publicamos aqui no blog o post o sono do bebê sem fórmula mágica, no qual enfatizamos a importância da proximidade física entre mãe e filho e sua influência na qualidade do sono, principalmente nos primeiros meses de vida do bebê.

agora, um artigo do jornal britânico Daily Mail mostrou os resultados de uma recente pesquisa sulafricana que comprovou o que muitos pais e especialistas já sabem: bebês colocados pra dormir separados da mãe logo após o nascimento têm nível de stress dobrado!

(foto: Jean Pichot)

traduzimos livremente a matéria, confira:

Níveis de stress em recém-nascidos é dobrado quando eles são colocados em berços

Separar crianças de suas mães durante a noite é desfavorável para o sono, afirmam cientistas da África do Sul. A pesquisa mostrou que a prática de colocar recém-nascidos em berços para dar algum descanso a suas mães após o parto pode causar angústia.

Os bebês também são separados de suas mães se forem prematuros ou necessitarem de atenção médica, enquanto preocupações com morte no berço também são motivo para muitos pais evitarem dormir com seus filhos recém-nascidos.

Cientistas da Universidade de Cape Town analisaram o efeito da separação precoce através do monitoramento da freqüência cardíaca em bebês com dois dias de idade quando eles estavam sozinhos em um berço ou sendo amamentados por suas mães, pele com pele.

Os resultados, publicados na revista científica Biological Psychiatry, mostraram que os níveis de stress entre os bebês cresceram 176 por cento quando estavam sozinhos, e que eram 86 por cento menos propensos a dormir profundamente.

os pesquisadores também separaram animais recém-nascidos de suas mães para monitorar os níveis de stress.

Eles estão planejando novas pesquisas para ver se a separação precoce tem efeitos a longo prazo sobre a saúde e o desenvolvimento dos recém-nascidos.

Dr Barak Morgan, autor do estudo, disse: “É prática comum em ambiente hospitalar, particularmente entre as culturas ocidentais, separar para as mães de seus recém-nascidos. A separação também é comum para bebês com necessidades médicas especiais ou bebês prematuros, que são colocados em incubadoras. alguns especialistas são contra pais dormirem com os filhos devido a associação com a Síndrome da Morte Súbita Infantil. esta pesquisa aborda uma estranha contradição: em pesquisa animal, a separação da mãe é uma maneira comum de criar o stress, a fim de estudar seus efeitos nocivos sobre o cérebro no desenvolvimento de recém-nascidos. Ao mesmo tempo, a separação dos humanos recém-nascidos é uma prática comum, especialmente quando os cuidados médicos especializados são necessários, tais como cuidados de incubadora. o contato pele com pele entre mãe e filho remove essa contradição, e nossos resultados são um primeiro passo para entender exatamente por que os bebês ficam melhor quando próximos fisicamente da mãe, em comparação com os que ficam em incubadoras ou berços.”

Dr. John Krystal, editor da Biological Psychiatry, disse: “Este artigo destaca o profundo impacto da separação materna sobre o bebê. já Sabíamos que a separação gerava algum stress, mas o estudo atual sugere que este seja um grande fator fisiológico de stress para a criança.”

e aprofundamos o assunto com mais dois artigos (também em livre tradução nossa) bem interessantes que tocam no mesmo ponto…

do jornal espanhol la vanguardia, uma entrevista, feita em março de 2010, com o pediatra ativista da amamentação Carlos González:

Carlos Gonzalez: “As crianças que dormem com os pais têm menos problemas”
O pediatra, defensor da amamentação, recomenda criação natural das crianças

Ter um filho é uma experiência transcendente. É como uma semente que é plantada para garantir a passagem para a eternidade. Por isso, é tão importante ser pai e mãe, mais que o dinheiro ou o trabalho, mas muitas vezes os pais não dedicam às crianças o tempo suficiente. Para o pediatra Carlos Gonzalez, presidente da Associação Catalã de Aleitamento Materno (ACPAM) esse é um erro grave. Alguns pais enchem seus filhos de presentes para tapar sua falta de atenção, quando o que mais necessitam é de mais horas de pai e de mãe. Gonzalez recomenda ignorar os livros que dão dicas sobre criar filhos, porque é melhor ir com o senso comum. Parece estranho isso dito justo por ele, que acaba de lançar o livro “entre o seu pediatra e você”. Mas é isso o que dita a sua experiência como pediatra, e também como pai de três filhos, que agora já comem e dormem.

- Como criar bem uma criança?
– Compartilhando o maior tempo possível com ele.

- Mas os pais têm que trabalhar.
– Sim, mas no fundo todo mundo pode se permitir cuidar de seus filhos. Meus pais fizeram comigo. É uma questão de prioridades.

- de quais prioridades?
– Se você quer ter muitas coisas materiais ou passar mais tempo com eles. Às vezes o padrão de vida não depende tanto do dinheiro que você ganha, mas sim de viver como quiser e fazer o que quiser.

- Seus pais o educaram assim.
– preferiam estar comigo do que trabalhar, mesmo que não viajássemos nas férias ou que não tivéssemos carro. Tenho seguido o exemplo. Quando meus três filhos nasceram, eu parei de trabalhar e comecei a escrever a partir de casa, porque há algo mais gratificante do que ser pai?

- ainda não pude comprovar.
– Cara, se você é um ministro, um Prêmio Nobel ou um cirurgião salvador de vidas, até poderia ser mais gratificante, mas se você tem um trabalho comum, o que mais vai te gratificar serão seus filhos.

- Por que ter filhos é tão importante?
– Dentro de algumas décadas tudo o que restará de nós serão os nossos descendentes. quando era um adolescente, li essa frase pintada na parede na rua: “Devemos considerar que a imortalidade esteja nos filhos”.

- Eu nunca me havia dado conta.
– Como serão e como viverão dependerá de nós.

- O que significa criar um filho naturalmente?
– o normal na espécie humana é cuidar do nosso bebê: se chorar, pegá-lo nos braços; se acordar, reconfortá-lo. Isso de colocá-lo para dormir em quarto separado e não acostumá-lo ao colo foi inventado recentemente.

- E se o bebê não quer dormir sozinho?
– Acima de tudo, não devemos deixá-lo chorar. É como se chegamos em casa e vemos nossa esposas aos prantos, não seria normal perguntar a ela o que ocorre? E se é meu filho, vou ignorar e começar a ler um livro? pois é claro que vou me preocupar!

- O que um pai deve fazer se seu filho chora durante a noite?
– Bem, deve dar atenção ao filho, porque não o deixarão dormir o choro do filho ou o seu remorso, que dura muito mais do que o choro. E eu não quero viver com a lembrança de que “meu filho me chamava e eu não fui.”

- também podemos colocá-los em nossa cama?
– É claro. Geralmente é o mais cômodo, embora existam aqueles que se empenham em levantar seis vezes a cada noite para confortar seu filho, mas não estou disposto a fazer esse sacrifício quando tudo funciona bem colocando-o na cama. Eu dormi com meus pais e meus pais com meus avós. A maioria das pessoas também têm feito, mas não “saem do armário”, porque é isso mal visto. Gabriel Mistral disse que “é amargo todo homem que nunca dormiu no colo de sua mãe.”

- Mas não há nenhum estudo científico que corrobore isso.
– O preconceito é pensar que as crianças que dormem com os pais são mais dependentes. Mas de acordo com alguns estudos, as que dormem na cama dos seus pais têm menos problemas de saúde mental. Os pais muitas vezes colocam para seus filhos regras absurdas que causam sofrimento aos filhos e a si mesmos. Por exemplo, muitas vezes não pegá-los em no colo ou deixá-los chorar quando postos para dormir sozinhos.

- Então, quais normas devem ser seguidas?
– Aqueles que os pais quiserem, aquelas que foram mais cômodas de se colocar em prática. Estou convencido de os pais não necessitam de livros para criar filhos.

- E isso diz você, que é escritor além de pediatra.
– Sim, eu percebi que muitos pais ou estavam preocupados em não implementar os conselhos dos livros ou então lhes partia o coração quando aplicavam tais conselhos.

- Os pais, às vezes, se preocupam demais com seus filhos?
– De certa forma, sim. E acho que isso é resultado do fato da maioria das pessoas ter menos filhos do que se tinha antes e se preocupa com coisas absurdas. Uma mãe chegou a me perguntar o que poderia fazer porque seu bebê não gostava de abobrinha. Mas se muitos pais com sete filhos nem questionam se eles se alimentam à base de hambúrgueres e batatas fritas!

- Que diferença!
– Hoje 80% das mães são novatas, porque não têm mais do que um filho.

- E ainda assim não conseguem educá-los como querem.
– na Espanha as crianças começam na escola aos quatro meses de vida, quando em países como a Alemanha são apenas 6%, e na Finlândia a escola não começa antes dos sete anos. Para não mencionar os pais que deixar a criança uma hora antes do início da aula e pegam uma hora depois de terminar.

- Eles têm que trabalhar.
– Sim, e como muitos se sentem mal, tentam compensar dando todo o seu amor e carinho quando estão com eles. Mas existem outros pais que como ouvem dizer que pegar uma criança nos braços ou fazer muito carinho é mal criá-la, optam por comprar brinquedos, aparelhos eletrônicos e levá-los para viajar nas férias, para o que eles precisam trabalhar mais e, portanto, estar menos com seus filhos.

- É um peixe que morde a sua cauda.
– Às vezes, nós substituímos as coisas realmente importantes, como o calor de contato e do afeto por coisas materiais. É triste ouvir pais de adolescentes problemáticos dizer “ai, as horas que trabalhei pra que não faltasse nada”, mas talvez o faltou a esse filho foram mais horas junto do pai e da mãe.

- Há ainda crianças que não querem comer quando suas mães estão trabalhando.
– Sim, esse fenômeno é comum em crianças de quatro a seis meses. é um comportamento visto principalmente em bebês que são amamentados. se fosse pela maioria das crianças, a maioria mamaria até 2-4 anos.

- a solução é conciliar melhor o trabalho com a vida familiar?
– efetivamente, temos [a espanha] uma das menores taxas de natalidade na Europa. Outros países como a Suécia têm dois anos de licença de maternidade ou horário reduzido com salário integral. Mas na Espanha os auxílios a quem tem uma criança são uma autêntica vergonha.

- o mais importante para se criar um bebê é…
– Não diga muitas vezes “te amo”, porque ele não entende, você tem que demonstrar, abraçá-lo, beijá-lo muito e fazê-lo sentir que você estaria disposto a tudo por ele.

e do site britânico active birth center, o primeiro de uma série de artigos de janet balaskas (pioneira no movimento do parto ativo e referência nos assuntos relacionados à gravidez e maternidade sob o viés da humanização, do protagonismo feminino e do attachment parenting) sobre o sono dos bebês (vale a pena ler todos!):

Artigo 6: Sono – Parte 1

No início, a interrupção do seu padrão de sono habitual pela chegada de um bebê pode ser a parte mais difícil de se ser um(a) novo(a) pai/mãe.

Isto é ainda mais verdadeiro se você tem uma criança que ainda acorda à noite, ou se levanta muito cedo pela manhã. No entanto, com o tempo você se acostuma a acordar durante a noite e formas eficazes de maximizar o sono podem ser encontradas.

a maneira como os bebês “devem” dormir é atualmente um assunto controverso na nossa sociedade e provavelmente você vai se deparar com conselhos de especialistas conflitantes, o que pode ser muito confuso para você e seu bebê.

O sono é a nossa forma de descanso. Ele não precisa se tornar uma “luta do sono” com seu bebê, na qual os padrões de sono instintivos dele entram em conflito com suas expectativas ou conselhos de especialistas.

os Padrões de sono dos bebês mudam à medida que se desenvolvem. mesmo o sono infantil seguindo uma tendência geral, existem variações dentro desta, que dependem da fisiologia e do temperamento individuais de cada bebê.

Alguns bebês são naturalmente mais despertos do que outros, desde o início. Muitos bebês com padrões normais, mas que acordam frequentemente durante a noite, tornam-se rotulados hoje em dia, como tendo um problema de sono, ou como sendo “difícil” durante a noite.

Alguns pais têm expectativas irrealistas e podem lutar por meses, tentando fazer com que seu bebê tenha um padrão de sono não adequado à sua fisiologia.

É importante não vincular rótulos de “bom” ou “mau” para os padrões naturais de sono do seu bebê e encontrar uma maneira de atender ao bebê durante a noite, que seja satisfatório para ele e que também funciona para você.

Existem várias opções para alcançar a harmonia à noite, as quais você pode considerar. Ambos os pais precisam se sentir confortáveis ​​com o regime de sono da família e abertos a fazer alterações se o plano inicial não funcionar.

Passem algum tempo ouvindo um ao outro e compartilhando seus sentimentos, dúvidas e opiniões sobre o assunto. Se vocês têm idéias diferentes, tentem chegar a um acordo sobre a abordagem com as quais vocês se sintam mais confortável, e estejam pronto para continuar a conversar e rever suas decisões em conjunto, conforme os ritmos e padrões individuais do forem surgindo e mudando.

Existem duas abordagens principais quando se trata do sono do bebê. Por um lado, a abordagem do attachment parenting é projetada para trabalhar juntamente com padrões biológicos do bebê, com as necessidades emocionais e de desenvolvimento tanto durante a noite quanto durante o dia.

Isso envolve ficar perto de seu bebê durante a noite e é chamado de “co-sleeping”. é baseada em precedentes evolucionários e históricos, nos quais bebês do mundo têm dormido perto de suas mães, compartilhando seu ambiente físico, o calor do corpo e a amamentação de forma espontânea durante a noite.

Quando isso funciona bem, miraculosamente o sono da mãe sintoniza com os ritmos do bebê, fazendo com que a amamentação durante a noite se torne muito menos cansativa.

Tendências recentes de cuidados do bebê são mais centradas no adulto, projetadas para treinar bebês, adequando seus padrões de sono às exigências da vida adulta.

hoje em dia, muitas pessoas são pressionadas pelo tempo, têm um estilo de vida orientado à carreira, ao trabalho, o que requer sono ininterrupto à noite. Elas podem, portanto, ser atraídas por métodos de “treinamento de sono”, que prometem que seu bebê pode ser ensinado dormir sozinho desde a mais tenra idade. Pode-se dizer que a nossa sociedade está obcecado em fazer bebês dormirem a noite toda o mais rapidamente possível.

Geralmente, isso vai contra a fisiologia do bebê. Treinamentos de sono podem ser conveniente para os adultos envolvidos, mas há fortes objeções que você pode querer considerar, antes de ir por esse caminho.

o attachment parenting oferece soluções também para pais muito ocupados, o que pode minimizar o impacto da separação temporária de seu filho.

Uma razão muito importante para que bebês acordem durante a noite é para mamarem. Bebês estão acostumados a serem alimentados continuamente no útero.

Aprender a se alimentar apenas durante o dia é um processo lento que acontece quando um bebê está fisiologicamente pronto, assim como aprender a sentar e engatinhar.

O leite materno é digerido rapidamente e os bebês necessitam se alimentar periodicamente durante a noite, bem como durante o dia, durante pelo menos vários meses. Seus estômagos são pequenos demais para um armazenamento que dure a noite toda.

Para alguns bebês isso pode continuar por um ano ou mais. a Prolactina, hormônio de produção de leite, é produzida abundantemente durante a noite, quando a mãe está descansando. a amamentação da noite estimula a secreção de prolactina. é um risco para a oferta de leite da mãe se o aleitamento materno durante a noite diminuir e caírem os níveis de prolactina.

Bebês alimentados com mamadeira pode fazer intervalos de até quatro horas entre as mamadas, como a fórmula de leite de vaca leva mais tempo para ser digerida do que o leite materno, mas ainda vai precisar de alimentação durante a noite quando acorda.

Um bebê alimentado menos do que deveria ser, pode parecer estar bem, mas seu desenvolvimento não será o ideal. Há também uma pequena porcentagem dos bebês novos que, quando não são alimentados durante a noite, podem sofrer desidratação e precisarem de cuidados especiais em hospital.

Eu recomendo vivamente o “co-sleeping”. Com isto quero dizer principalmente dormir no mesmo quarto que o seu bebê, por um mínimo de seis meses e possivelmente por um ano ou mais.

Isto pode ser feito tanto partilhando a cama com seu bebê, dormindo com o seu bebê a curta distância, colocando seu bebê em um berço em seu quarto, ou alguma combinação flexível dessas opções.

Quando seu bebê tiver 6 meses de idade é um bom momento para rever os arranjos de sono e ver se você quer introduzir quaisquer alterações.

a essência da abordagem do “co-sleeping” não é só o lugar onde o bebê dorme. Significa aceitar e respeitar que seu bebê tem necessidades à noite, tanto quanto durante o dia. Trata-se de uma vontade e compromisso de responder a seu bebê durante a noite, assim como você faz em qualquer outro momento.

Minha confiança nessa abordagem vem do meu próprio sucesso na experiência com meus quatro filhos e das observações que fiz ao longo dos anos, de quão bem o “co-sleeping” funciona em inúmeras outras famílias.

Seja qual for o estilo de dormir que você escolher, nenhuma abordagem é livre de problemas e nada é certo para todos. É essencial escolher o que funciona melhor em sua família, para seu bebê, independentemente do que as outras pessoas recomendam ou fazem. Seu tempo de sono é íntimo, privado e pessoal e realmente não é da conta de qualquer outra pessoa.

Ao decidir sobre seu regime de sono, você precisa fazer de forma consistente, mas não impor regras rígidas a si mesmo a ponto de não poder flexibilizar ou revisar suas decisões se elas claramente não estiverem funcionando.

Você pode muito bem precisar improvisar, se seu bebê estiver na fase da dentição, num surto de crescimento, ou num mau momento e acordar com mais freqüência, se você estiver excepcionalmente cansado, ou se sua agenda regular for perturbada por um passeio ou um feriado.

Não existe um “dever” e nem uma única maneira de fazer qualquer coisa como pai/mãe. O que é um problema para uma família, pode ser uma solução para outra. O objetivo é encontrar os arranjos para a sua família, que vão respeitar as necessidades do seu bebê, maximizar o sono e criar harmonia à noite.

© copyright Janet Balaskas 2004


Filed under: cuidados com bebês — ciadasmaes @ 17:08

1 Comentário »

  1. [...] – attachment parenting e o sono dos bebês [...]

    Pingback by Cia das Mães — 21 de dezembro de 2011 @ 17:23

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