mais uma vez, a parceria guia do bebê + dra. melania amorim deu um show.
depois da maravilhosa série (que ainda não terminou) “parto normal X cesárea”, o guia do bebê publicou na semana passada um artigo impecável da dra. melania sobre parto domiciliar.
(foto: eyeliam)
elogiadíssimo pelos leitores, super compartilhado nas redes sociais, o artigo “parto domiciliar: refletindo sobre paradigmas” tem nada menos que 25 parágrafos (!), que merecem ser lidos do início ao fim, por quem valoriza informação de qualidade, criteriosa e embasada, por quem busca dados muito relevantes que são pouco ou nada divulgados pela grande mídia.
é uma resposta em grande estilo à (pseudo)reportagem da revista veja que tratou o assunto de maneira rasa e tendenciosa, como de costume, baseando-se apenas em opiniões e em um único e questionável estudo, analisando-o de forma parcial. este mesmo estudo citado pela veja, explica melania, foi citado também em matéria recente da revista internacional de atualidades the economist, que deu destaque justamente às críticas que este suscitou na comunidade científica.
no artigo do guia do bebê, melania deixa bem claro, através de dados reais significativos, que o movimento de retorno ao parto domiciliar, ao contrário do que alguns (como a revista veja) tentam afirmar, não é novo, não é uma moda e não está interessado em abrir mão de todo o lado positivo que o aparato tecnológico da medicina moderna oferece.
o movimento ganha força no Brasil com a união poderosa entre profissionais altamente qualificados (médicos, enfermeiras obstetrizes, parteiras, doulas) e mulheres empoderadas e muito bem informadas (o advento da internet e das redes sociais tem papel fundamental nesse processo!).
a humanização do nascimento não tem sido possível dentro do modelo tecnocrático de assistência ao parto, que tem como algumas características marcantes: altíssimas taxas de cesáreas desnecessárias, partos traumáticos, excesso de intervenções e a frequente ocorrência da violência institucional – procedimentos, técnicas e exames dolorosos e desnecessários e até “ironias, gritos e tratamentos grosseiros com viés discriminatório quanto a classe social ou cor da pele”.
com a democratização da comunicação, as informações sobre a medicina baseada em evidências – integração da experiência clínica individual com as melhores evidências clínicas disponíveis obtidas em pesquisas sistemáticas e as características e expectativas dos pacientes - vão ficando acessíveis para cada vez mais mulheres que, diante do cenário desanimador dos partos hospitalares, escolhem o parto domiciliar.
é importante ressaltarmos que mesmo sendo uma alternativa segura, o parto em casa não pode ser a única saída pra quem não quer se expor ao excesso de intervenções ou ao risco de uma cesariana desnecessária. por isso, a defesa maior da dra. melania e dos profissionais que trabalham pelo parto humanizado (inclusive o domiciliar) é a implementação urgente de estratégias para que se aumente a segurança e a satisfação das usuárias em TODOS os partos, o que significa melhorar e humanizar a atenção hospitalar em maternidades e centros de parto normal, além de estabelecer diretrizes para a seleção adequada das candidatas ao parto domiciliar.
com o crescimento do número de partos domiciliares no Brasil, a formação constante de equipes multidisciplinares que se mostram cada vez mais capacitadas para este tipo de atendimento, as discussões e trocas de experiências e informações através da rede, o assunto se fortalece e vem mostrar que tem muuuita gente “nadando contra a corrente”.
é de se esperar que qualquer quebra de paradigma provoque reações por parte dos lados conservadores. matérias como a da revista veja falam em nome deste segundo grupo. nós falamos em nome do primeiro, o que “nada contra a corrente”, e por isso recomendamos fortemente esta leitura!












