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19 de julho de 2011

parto normal X cesárea

é muito raro encontrar, na mídia especializada e na grande imprensa de modo geral, matérias e reportagens sobre parto que sejam realmente esclarecedoras e com argumentos baseados em evidências científicas.

por isso, achamos o máximo a série de artigos (parto normal vs. cesárea  - (parte 1): a magnitude do problema; parto normal vs. cesárea – (parte 2): por que as taxas de cesárea são tão altas no Brasil?; parto normal vs. cesárea – (parte 3): principais pretextos para cesariana sem respaldo científico), escritos pela dra. melania amorim, que o guia do bebê vem publicando, nos quais ela discute amplamente o assunto, de forma clara e incisiva, com dados e números de pesquisas feitas recentemente no mundo todo.

o conteúdo é o supra sumo de tudo o que já se publicou na web sobre parto normal x cesárea!

se você está grávida ou pretende engravidar em breve, é leitura obrigatória. é o tipo de coisa pra se guardar e ter sempre à mão pra reler, indicar pra amigas grávidas ou pra quem precise de informação de qualidade sobre o assunto.

no primeiro artigo da série, ‘a magnitude do problema’, Melania explica porque o aumento das taxas de cesárea no mundo todo, e especialmente na América Latina e Brasil, é preocupante.

se por um lado, a cesariana bem indicada traz efeitos benéficos, como a redução das complicações relacionadas ao parto e uma grande diminuição da mortalidade materna e neonatal, o fato de ter ser tornado um procedimento cirúrgico relativamente simples, causou a popularização deste tipo de cirurgia que, quando feita sem necessidade da maneira como tem sido, traz sérios riscos para mãe e bebê, como demonstram várias pesquisas recentes.

o caso do Brasil chama a atenção: a taxa de cesárias está em elevação aqui desde a década de 70. hoje, no setor privado, chega a 80%, enquanto no atendimento público, fica em 30%.

segundo diversos estudos publicados recentemente, quando se ultrapassa o limite de 15% a 20% nas taxas de cesariana, há maiores taxas de mortalidade materna (aproximadamente 4 a 5 vezes maiores que o parto vaginal!) e também maiores riscos de complicações e morte neonatal. a porcentagem maior que o limite indica que mais cesárias desnecessárias estão sendo realizadas. e mesmo em gestantes saudáveis e de baixo risco, a cesariana eletiva realizada sem indicação definida, e antes do início do trabalho de parto, provoca aumento significativo de riscos.

é impossível ler o artigo, verificar as referências científicas e o detalhamento dos dados e ficar com alguma dúvida em relação ao prejuízo que as ‘desne-cesárias’ representam hoje para a saúde da mulher e dos recém-nascidos.

no segundo artigo, ‘por que as taxas de cesárea são tão elevadas no brasil?’, Melania levanta uma questão fundamental e frequentemente ‘abafada’ nas discussões sobre o tema: a (falta de) ética dos médicos.

muitos obstetras justificam a enorme quantidade de cesáreas no país, com o argumento de que são feitas “a pedido” das mulheres. ou seja, que eles respeitam o direito de escolha da mulher em relação ao nascimento de seu filho.

porém, os números mostram que esse direito de escolha parece só ser respeitado quando a escolha é pela cesárea. fica claro que muitas e muitas mulheres que têm preferência pelo parto normal não conseguem parir e são submetidas a cesarianas desnecessárias.

há uma dissonância entre a voz dos médicos, que dizem que a cesárea é opção das mulheres, e a voz das mulheres, que em sua maioria no Brasil, segundo as pesquisas, preferem o parto normal.

a elevada frequência dos partos cirúrgicos no setor privado, sugere que muitos são realizados sob indicações médicas duvidosas e que não encontram base na literatura científica. e é aí que entra a (falta de) ética: uma mulher saudável, que tem plenas condições de parir e demonstra claramente este desejo, precisa ter seu direito básico à escolha respeitado, o que não acontece atualmente, como mostram os estudos citados no texto.

no terceiro artigo, ‘principais pretextos para cesariana sem respaldo científico’, são numerados e explicados os mais frequentes argumentos utilizados erroneamente (seja por falta de ética ou por falta de conhecimento) pelos médicos para realizar cesarianas.

são fatores que por si só não justificariam um parto cirúrgico:

- circular de cordão

‘bebês saudáveis se movimentam dentro do útero e giram para um lado e para o outro, podendo formar e desfazer circulares a qualquer momento. (…) estudos observacionais demonstram que a presença de circular de cordão não se associa com piora do prognóstico perinatal. (…) não se deve modificar a conduta obstétrica em função de um diagnóstico eventual de circular de cordão, e não é necessário pesquisar circular de cordão no exame ultrassonográfico nem anteparto nem no momento da admissão em trabalho de parto.’

- gestação prolongada

‘gestação prolongada é aquela que excede 42 semanas, ocorrendo em 5% das gestações, enquanto 10% de todas as gestações se estendem além de 41 semanas. (…) o risco absoluto de eventos perinatais desfavoráveis é baixo. Embora haja controvérsias em relação à conduta obstétrica, uma vez que alguns autores e diretrizes de sociedades recomendam indução sistemática a partir de 41 semanas e outros sugerem como alternativa a expectação com monitorização do bem estar fetal, nenhuma diretriz específica sugere a realização de cesariana.’

- oligo-hidrâmnio

‘oligo-hidrâmnio consiste na redução do líquido amniótico, mas ainda existem lacunas na literatura sobre qual o melhor método ultrassonográfico para seu diagnóstico. (…) a conduta na presença de oligo-hidrâmnio depende de sua etiologia, da idade gestacional no diagnóstico, da vitalidade fetal avaliada por outros métodos e da presença de outros fatores de risco associados. (…) O achado isolado de oligo-hidrâmnio, principalmente a termo, não representa indicação de cesariana. Esta pode estar indicada se há alteração das outras provas de vitalidade fetal, como cardiotocografia, outras variáveis do perfil biofísico fetal (PBF) e dopplervelocimetria da circulação fetal.’

- macrossomia

‘define-se como macrossomia um peso ao nascer maior ou igual que 4000g, de forma que o diagnóstico definitivo só pode ser firmado depois do nascimento. A ultrassonografia, entretanto, permite a estimativa do peso fetal e tem sido usada em alguns estudos para a predição da macrossomia. (…) a macrossomia fetal per se não constitui indicação de cesariana. (…) a ultrassonografia tem acurácia limitada para estimar adequadamente o peso fetal a termo, e não deve ser empregada rotineiramente com esta finalidade, porque pode levar a cesarianas desnecessárias pela suspeita de macrossomia.’

- prematuridade

‘a alegação de que em casos de prematuridade extrema haveria uma indicação de cesárea para proteger o delicado encéfalo fetal não encontra respaldo na literatura. A via de parto não influencia significativamente o desfecho neonatal em fetos vivos em apresentação cefálica entre a 24ª e a 28ª semana de gravidez. Realizar cesariana como rotina para partos pré-termo associa-se com aumento da morbidade materna e pode provocar um nascimento evitável, pois em casos de trabalho de parto prematuro espontâneo este poderia ser inibido, permitindo o uso de estratégias efetivas que realmente conferem neuroproteção, como corticoide e sulfato de magnésio.’

- baixo peso

recém-nascidos de baixo peso (menor que 2500g e muito baixo peso ao nascer (menor que 1500g) apresentam risco aumentado de cesariana. No entanto, os estudos sugerem que a cesariana não traz benefícios para esses conceptos quando o único achado é o baixo peso. (…) não se recomenda cesariana de rotina para os conceptos pequenos para a idade gestacional, condição que pode refletir restrição do crescimento fetal, porque apesar de esses conceptos apresentarem maior risco de morbimortalidade neonatal, um possível efeito benéfico da cesariana para melhorar esses desfechos ainda não foi determinado.’

- envelhecimento placentário precoce

‘o termo “envelhecimento placentário precoce” foi criado com base na classificação original de Grannum (graus zero, I, II e III de placenta), que nunca descreveu esta condição, mas alguns autores passaram a utilizá-lo para descrever uma situação em que o grau placentário antecede a idade gestacional esperada. Esta nomenclatura pode gerar angústia para as pacientes e muitas vezes para os obstetras, que podem indicar cesarianas desnecessárias, principalmente em fetos prematuros. (…) o envelhecimento placentário precoce isolado não é indicação de cesariana, sendo o parto vaginal recomendado. Na presença de outros fatores associados, como oligo-hidrâmnio, restrição de crescimento fetal, pré-eclâmpsia ou centralização fetal, deve-se seguir as orientações de cada condição clínica. Da mesma forma que ultrassonografia na segunda metade da gravidez não está indicada de rotina em gestações de baixo risco, também não se indica a pesquisa do grau placentário sem uma indicação específica.’

o guia do bebê está de parabéns pela publicação dos artigos da fantástica dra. melania! é preciso lembrar que a cesária é um procedimento cirúrgico invasivo, com diversas implicações e riscos. por isso, é de extrema importância que cada vez mais mulheres tenham acesso a conteúdos como este. para que possam fundamentar suas escolhas sobre o parto em informações reais. para que não fiquem nas mãos dos médicos e não tenham que se submeter a indicações que vão contra sua vontade e podem colocar em risco sua saúde e a de seus filhos, mas contra as quais, muitas vezes, não estão preparadas para argumentar.

e a boa notícia é que a série não terminou! a Dra. Melania está preparando um quarto artigo, em que pretende discutir os riscos e benefícios do parto vaginal após uma ou mais cesáreas anteriores.

estamos esperando ansiosamente pelos próximos capítulos!



7 Comentários »

  1. eu simplesmente amei esse cantinho! estou tentando engravidar e como li na apresentação de vocês, estou com projetos de home office, sendo a empreendedora aqui de casa! hehehehe… então tudo relacionado à maternidade me interessa!

    o post sobre parto normal x cesárea tb é muito importante. vou ver com bastante calma isso, pra poder escolher o que é melhor pra mim e pro meu bebê.

    bjos =)

    Comentário by Mariana Abramo — 20 de julho de 2011 @ 17:52

  2. que bom, Mariana, seja muito bem-vinda e boa sorte! ; )

    Comentário by ciadasmaes — 20 de julho de 2011 @ 20:46

  3. Adorei a matéria!!!Tive minha última bebê via vaginal, com uma circular de cordão e nada aconteceu.Estava bem assistida por um médico extremamente zeloso.
    Provavelmente, se fosse outro profiisional, indicaria uma cesárea, até porque , meu parto anterior foi cesáreo.
    Agradeço a iniciativa.O que falta nesse país é informação.As mulheres se submetem a procedimentos desnecessários por não terem informação.
    Tive três partos.Dois normais e uma cesárea, e só posso dizer que prefiro muito mais o normal.
    Parabéns!!!!
    bj

    Comentário by Gabriela — 21 de julho de 2011 @ 11:13

  4. [...] supra-sumo do debate Parto Normal vs. Cesárea: a magnitude do problema. Tenho sonhado com partos. Quem chegar perto de mim e já tiver tido [...]

    Pingback by links grávidos da semana #2 — Just the two of us! — 21 de julho de 2011 @ 13:37

  5. Sou doula em Salvador e fico feliz em ver iniciativas como essa de difusão de um artigo tão importante.

    Comentário by Chenia d'Anunciação — 21 de julho de 2011 @ 13:55

  6. [...] da maravilhosa série (que ainda não terminou) “parto normal X cesárea”, o guia do bebê publicou na semana passada um artigo impecável da dra. melania sobre parto [...]

    Pingback by Cia das Mães — 6 de outubro de 2011 @ 20:12

  7. [...] – parto normal X cesárea [...]

    Pingback by Cia das Mães — 21 de dezembro de 2011 @ 17:22

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