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1 de junho de 2011

cqc anti-amamentação, vai pra pqp*

nós não queremos dar ibope para bobões que falam qualquer tipo de abobrinha pra aparecer e ganhar atenção da mídia; fizemos de tudo pra evitar, mas…

encontramos um post maravilhoso, no blog escreva lola escreva, que vale muito a pena ser republicado aqui, como resposta a todo machismo e preconceito embutidos nas declarações contra a amamentação em público (como as dos rapazes do CQC na última segunda-feira), e também pra reforçar nosso total apoio ao mamaço que vai acontecer nacionalmente no próximo domingo, 05 de junho.

vamos espalhar?!

(evelson de freitas/AE)

Eu não vejo CQC, mas leitoras me contaram da última do programa da Band em geral, e do Rafinha Bastos (que adora contar piadas sobre estupradores merecerem um abraço) em particular. Dá pra ver aqui. Raf começa lendo carta de uma leitora que lhe pede pra falar sobre o mamaço, a manifestação promovida em frente ao Itaú Cultural depois que uma mãe foi impedida de amamentar seu bebê em público. Note como ele diz mamaço, com a maior cara de asco. Não fica claro se seu nojo é pelo ato de amamentar ou pela audácia de pessoas protestarem. Ele exemplifica falando do beijaço, que seria “pra promover o beijo, sei lá”. É, é pedir demais que um carinha, numa concessão pública que é a TV, se informe minimamente antes de falar diante das câmeras. Beijaço não é pra promover beijo. É uma arma do povo LGBTTT para lutar contra a homofobia. Porque, assim como pessoas como Rafinha não aceitam ver uma mulher amamentar em público, também acham horrível um casal gay se beijar. Do jeito que Raf menciona beijaço e mamaço, ele deixa transparecer o que acha de protestos: ativistas são pessoas fúteis sem nada pra fazer na vida além de reclamar. Revolucionário e profundo é o CQC.

Reproduzo um pouquinho o diálogo. Raf: “Por que cargas d’água tem aquela mãe que enfia a teta nas caras das pessoas na rua, véio? Mano, vai prum banheiro, c*ralho, porque a gente olha, não tem como.”

“Joga um lencinho em cima,” diz um outro neandertal. “Às vezes dá até um constrangimento” [é, o constrangimento é deles! Não das mães com um cara babando em cima delas!]

Raf: “Não precisa tirar aquele mamilo, que mais parece uma, que parece um rocambole. [...] [Definição rafística pra mamaço:] Todo mundo lá mostrar as teta. [...] Não pode proibir, é um direito da pessoa [note que ele não diz “da mulher”], mas pô, dá uma protegida”.

Aí vem o outro energúmeno dizer que amamentar é um pretexto, porque no fundo o que a mulher quer mesmo é mostrar os seios. Claro, né? Afinal, a primeira coisa que tá na mente de toda mulher, inclusive as que estão com um bebê chorando nos braços, é atrair a atenção sexual do macho. É instinto! O problema, segundo o filósofo Rafinha Bastos, não é que a mulher queira se mostrar (isso pode na nossa sociedade! Imagina se não pudesse, a TV ia viver do quê? Só do talento de Rafinhas e Marcelos Tas?), “é que quem quer mostrar a teta é quem não deveria querer mostrar. Nunca é aquela gostosa. Geralmente é aquela mãe com aquelas buchibas”. E os três machos lamentam que nunca viram a Giselle Bundchen amamentar, apenas aquela mulher “que não precisa de um sutiã, precisa de joelheira”.

(…)

leia o post na íntegra clicando aqui.

*título original do post da Lola Aronovich

atualização:

com toda a repercussão do assunto na rede, resolvemos compartilhar aqui alguns links de textos e posts bacanas que foram surgindo, como reação tanto às declarações do colunista da Folha, como dos apresentadores do CQC e também à ameaça do Marcelo Tas de processar a blogueira Lola Aronovich por causa do post dela (esse reproduzido aí em cima).

- no escreva lola escreva, o post sobre a reação de Marcelo Tas contra o post ‘cqc anti-amamentação, vai pra pqp’

- no buena leche, uma reflexão interessantíssima e necessária sobre amamentação e sexualidade

- no blogueiras feministas, mais uma reflexão sobre os tabus que ainda assombram a sociedade moderna

- no Farofafá, um texto crítico e muito bom, do jornalista Pedro Alexandre Sanches, que ainda nos dá ‘de brinde’ uma seleção musical chamada ‘músicas para amamentar’ (muito legal!).

- no blog da cidadania, eduardo guimarães se indigna com o artigo de João Pereira Coutinho (na Folha, algumas semanas atrás) e relata suas impressões sobre o lado sublime da amamentação

atualização 2:

as redes sociais não param de pipocar novos posts, chamadas para blogagens coletivas, opiniões, discussões, polêmicas… é muito bom essa discussão estar ganhando espaço, acompanhemos!

atualização 3:

analy uriarte escreveu uma linda nota em seu perfil do Facebook. postamos abaixo, na íntegra.

Aos que criticam a amamentação pública, em especial Marcelo Tas, Rafinha Bastos e CQC

por analy uriarte, quarta, 1 de junho de 2011 às 22:52

Humor tem dessas coisas: gosta de rir de si mesmo.

Quando assisti ao vídeo do CQC, senti uma enorme vontade de rir… de alegria! Finalmente estava aí escancarado o pensamento comum de toda uma sociedade. Aí estão as frasesinhas de escárnio e ridículo que lá nos idos de 2000, grávida do meu primeiro filho, me faziam pensar em amamentar, no máximo, os quatro meses da licença e sempre no quartinho do fundo, devidamente oculto nesse ato sigiloso e privado que eu, aos 34 anos jamais havia visto de perto. Quando meu filho veio para meus braços no quarto da maternidade, diante de todas as visitas (incluindo sogro), eu baixei a camisola, saquei a teta e dei-lhe de mamar. Isso foi um ato não pensado e totalmente contrário à minha criação. Afinal, meus seios são escondidos desde que se rebelaram na minha adolescência: primeiro os mamilos, com camisetas que não deixavam a blusa do colégio tão transparente. Logo, quando começaram a ganhar peso e volume, foram rapidamente imobilizados dentro de um soutien. E a promessa é que seriam liberados na hora certa, para a pessoa certa. Isso aconteceu vários namorados e mais de vinte anos depois quando conheci meu primeiro filho.

Como mulher, a amamentação revela no meu corpo um poder que nenhum homem pode experimentar: o de fornecer alimento através do meu alimento e promover a vida, mamada após mamada. Sim, é uma visão poderosa, a de uma teta em ação, na sua função primária. Com certeza, ao se tornar protagonista, a teta deve assustar seus antigos usuários, por isso os comentários tão cortantes e pedidos quase suplicantes de levar a amamentação para outro lugar (banheiro) ou pelo menos usar um “paninho” (veja vídeo CQC). Quando algo tem uma função muito conhecida, pode ofuscar sua utilidade primordial. Por exemplo, se a visão de seios fartos é associada, dia após dia com cerveja, êxito profissional e conquistas sexuais, fica difícil fazer a volta aos prazeres mais simples da vida: o de ser cuidado, amado incondicionalmente e de estar seguro, independente de quanto dinheiro você faz ou de quanto viagra você precisa. Esses são os valores associados ao ato de amamentar que se tornam públicos em tetas inchadas de leite… e não vendem nada, nadinha.

Mas as mulheres ganharam as ruas há algumas décadas, como já é notório. A presença delas é necessária e não só como co-autoras, mas como protagonistas de seus trabalhos e de suas vidas. E a amamentação, uma atividade essencialmente feminina vai acompanhar, quer vocês queiram, quer não. Não nos peça para usar paninho porque a cena é forte demais. Entendam, todos vocês, com sorte, foram levados a uma teta poderosa em algum momento de suas vidas. É uma realidade da vida, como o sexo, a morte e o nascimento. E ao contrário dos outros exemplos, que podem exigir certa privacidade, a amamentação pode acontecer de maneira mais corriqueira do que se imagina. Vou ilustrar. É impossível fazer compras num Hiper Mercado sem amamentar: o tempo gasto, o movimento, as mudanças de temperatura, ruídos, vozes, é quase certo que seu bebê, com qualquer idade menor de um ano, vai querer dar uma mamadinha nem que seja por sede ou para assegurar-se de seu porto-seguro. Sim, porque amamentar é um ato de prevenção contra doenças tantas físicas quanto psicológicas. Através da teta, damos segurança a nossos bebês. Segurança que o mundo é bom, o leite é farto e mamãe está perto. Portanto, não é falta de organização que leva à amamentação em lugares públicos, é inerente ao trabalho de alimentar a próxima geração.

Finalmente, entendo a sensação de desgosto ao ver essas tetas todas em ação, e domingo vão ter muitas mais no Mamaço Nacional que em São Paulo acontece no Parque do Ibirapuera, às 14h. A nova ordem proposta por essas mães e suas tetas à mostra provocam em muitas pessoas a sensação de perda de uma era que já acabou. Mas façam o seguinte: olhem só para os bebês, contentes da vida, talvez mais contentes do que vocês jamais foram. Eles terão menores chances de terem pelo menos 3 doenças crônicas da nossa era (obesidade, diabetes e doenças respiratórias), promessa de índices mais elevados de QI, prevenção de câncer e doenças cardíacas nas mães (esses bebês adoram suas mães) e uma sensação geral de satisfação com a vida! Fixem-se nos bebês e creiam num mundo melhor onde as mulheres em todas suas fases, possam ser publicamente aceitas… inclusive nos dois anos que a OMS recomenda como tempo ótimo de amamentação. Sejam homens e vejam o Mamaço pelo lado do bem comum. Se o Itaú Cultural assinou embaixo promovendo o Mamaço no mês passado, se eles entenderam, tenho plena confiança de que vocês também vão. Fixem-se nos bebês!


Filed under: amamentação,reflexões — ciadasmaes @ 14:53

2 Comentários »

  1. Tenho dois posts sobre isso: http://maed2.blogspot.com/2011/06/o-lado-ab-do-mamaco.html

    Comentário by Mariana Passaglia — 3 de junho de 2011 @ 4:20

  2. [...] – cqc anti-amamentação, vai pra pqp [...]

    Pingback by Cia das Mães — 21 de dezembro de 2011 @ 17:38

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