acabamos de receber duas fantasias incríveis da coisário para as festas juninas: lampião (para os meninos) e maria bonitinha (para as meninas).


diferentes dos trajes típicos tradicionalmente usados nessa época, saem do lugar comum e nos colocam em contato direto com um capítulo da nossa história: o cangaço, que tem como cenário o sertão nordestino, que é também uma das regiões de maior tradições em celebrações juninas.
pensamos, então, juntando isso tudo, em resgatar um pouco dessa história, imaginar como as nossas “criancinhas urbanas” podem estabelecer uma conexão com este tema tão rico e interessante e, ao mesmo tempo, tão distante de suas realidades…
os cangaceiros – que têm como representantes mais conhecidos Lampião e sua mulher, Maria Bonita – são figuras históricas e também míticas no nordeste brasileiro.
originários de questões sociais e fundiárias do Nordeste brasileiro, surgiram em meados do século XIX e atuaram até início do século XX. no começo, os grupos prestavam serviços ‘sujos’ a grandes fazendeiros, que formavam verdadeiros exércitos para defender seus interesses. mas nos primeiros anos da República Oligárquica os primeiros grupos independentes de cangaceiros surgiram e de acordo com seus próprios interesses, estabeleciam alianças com aqueles que oferecessem vantagens econômicas ou proteção às suas atividades.
andavam vestidos vistosamente, com acessórios de couro e os marcantes chapéus em forma de meia lua enfeitados com moedas de ouro prata, e viviam como nômades pela caatinga (território que conheciam como ninguém).
Lampião e Maria Bonita foram personagens reais que ficaram conhecidos também pela história de amor que viveram em meio à luta do cangaço. Maria Bonita foi a primeira mulher de que se tem notícia a participar de um grupo de cangaceiros. ela e as outra mulheres do bando de Lampião, se vestiam como os homens para participar das ações do grupo.

há inúmeros registros que retratam a importância e a peculiaridade do que pode ser chamado de um dos mais antigos grupos de guerrilha da nossa história.
na tradicional literatura de cordel – outro grande elemento da cultura nordestina (trazido pelos portugueses, adaptado e incorporado fortemente no nordeste colonial) – os cangaceiros são retratados como herois, tendo suas aventuras relatadas em versos, com rústicas e lindas ilustrações de xilogravura.
a atual novela das seis da rede globo, cordel encantado, sucesso de público e crítica, é inspirada justamente na estética e na linguagem da literatura de cordel, contando um pouco da história do cangaço. tendo como cenário o sertão do nordeste brasileiro, é narrada como um conto de fadas mas com uma temática típica da literatura de cordel.
muitos documentários e filmes foram produzidos sobre o cangaço e, principalmente, sobre o grupo de Virgulino Lampião e Maria Bonita. o documentário ‘memórias do cangaço’, de 1964 está disponível no youtube, na íntegra! Com roteiro e direção de Paulo Gil Soares, inclui depoimentos de sobreviventes da luta (policiais e cangaceiros) e imagens originais de 1936 filmadas por Benjamim Abrahão, fotógrafo que se infiltrou no grupo de lampião e que, por isso, anos depois, virou personagem do filme baile perfumado, sucesso de 1997 (com uma trilha sonora inesquecível!)
talvez o mais bacana dessa história toda seja, além de apresentar um novo universo cultural para as crianças, fazê-las começar a entender que o bem e o mal são relativos. que os cangaceiros eram bandidos mas foram também heróis. eram terríveis pra alguns mas libertadores pra outros. eram revolucionários, ‘tocavam o terror’ no bom e no mau sentido, dependendo do ponto de vista. assim é a história da humanidade, assim são os seres humanos. e quanto antes elas perceberem que esse negócio de ‘mocinho X bandido’ é história pra boi dormir, um tanto melhor, não é?!











Que bacana o post, realmente as fantasias juninas foram elaboradas como um convite a curiosidade e pesquisa infantil através do brincar. Acreditamos que é sempre instigante saber mais sobre nós: yes, nós temos os nossos próprios enredos, dramas, heróis, heroínas e vilões.
Viva o Sertão, a nossa gente, a nossa poesia!
OBS: sugestão literária para apresentar o tema do cangaço aos pequenos – “A História de Lampião Junior e Maria Bonitinha” de Januária Cristina Alves (Ed. Novo Século).
Comentário by Cecília — 25 de maio de 2011 @ 23:26
super dica, cecília! obrigada! bjs, dani buono
Comentário by ciadasmaes — 25 de maio de 2011 @ 23:41
[...] além, é claro, dos destaques lampião e maria bonitinha, trajes inspirados no cangaço, que foi tema do nosso post anterior. [...]
Pingback by Cia das Mães — 3 de junho de 2011 @ 0:29
[...] vários editoriais importantes divulgaram e elogiaram, como o blog da Revista N-Magazine , da Cia das Mães e o Bebê da Abril, além da Revista Crescer. Compartilhamos com vocês esse sucesso que tem [...]
Pingback by O SERTÃO VAI VIRAR MAR! « — 5 de junho de 2011 @ 14:06
Olá ,estou a procura de Fantasia Cangaceira pra minha filha de 5 anos ,por gentileza entre em contato com informaçoes sobre valor preciso para o dia 2 de julho 1
Grata
Daniele
Comentário by Daniele — 14 de junho de 2011 @ 16:15
oi, Daniele!
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obrigada!
Comentário by ciadasmaes — 14 de junho de 2011 @ 21:45