mais uma vez o blog What Mommy Needs levanta uma reflexão super importante, que interessa muito a nós, mães conectadas: a maternidade na rede como nova esfera pública.

A exposição dos bebês nos blogs e uma nova “vida pública”
Ultimamente o termo “baby brother” tem sido usado para se fazer certo sensacionalismo sobre os blogs maternos. A matéria da Folha, entitulada “Mães colocam crianças em “Baby Brother” na internet; especialistas criticam”de Luisa Alcantara e Silva, já foi debatida por algumas dessas mães (como eu!), inclusive num encontro virtual num Diálogo em Rede da Escola Virtual para Pais, no qual cerca de quinze participantes (dentre mães e não-mães) falaram e escutaram experiências positivas e negativas com a exposição na rede.
O medo de expor demais nossa vida privada é relevante. A ameaça de que um desafeto possa usar as informações postadas contra nós está à espreita. E tem também a possibilidade da criança não gostar de ter sua intimidade divulgada, numa idade maior. Claro que, como toda desbravadora, as mães que usam o blog como diário, espaço de trocas e relatos de experiências com a maternidade podem ter aquele friozinho na barriga misturado à empolgação de estar explorando um mundo novo! Porque a própria Internet é recente!
Nesse ínterim, os “especialistas” são os primeiros a ditarem a condenação e ordenarem a interrupção da aventura (pelo menos, foi o que fizeram os “especialistas” consultados pela reportagem) – você já reparou como alguns jornalistas precisam enfatizar que a opinião expressa no texto vem da boca de um estudioso, doutor, cheio de credenciais? Mas, não podemos esquecer que ainda assim continua sendo uma opinião. O texto é pobre e pouco fala das opiniões das mães blogueiras! E ainda enfatiza o fato de uma das entrevistadas estar de licença médica – como se ela estivesse ociosa e por isso se dedicasse a essa atividade inútil de blogar. Mas a matéria não comenta algo crucial para se compreender esse “fenômeno”.
Acontece que esse fenômeno das redes virtuais em torno da maternidade não é simplesmente um Big Brother infantil, que explora inescrupulosamente a imagem dos filhos pelas mães, é algo muito diferente. Essas redes refletem a construção de uma nova esfera pública – um espaço onde valores e ideais sobre maternidade são comunicados, contribuindo para o fortalecimento de movimentos muito ricos, como a maternidade consciente, o parto humanizado, as momperuners (ou mães empreenderoras). Milton Santos já sinalizava, com muito otimismo, que nosso tempo é rico para a construção de uma nova esfera pública, um novo jeito de se fazer política (na verdade, uma retomada da política em seu sentido original). Como ele, Hanna Arendt já pontuara que essa esfera ultrapassa e antecede leis e instituições legais, ela é formada por um mundo coletivo, onde cada membro tem direito de se manifestar, dar sua palavra e participar de decisões que afetam todo o grupo. E é mais ou menos isso que tem acontecido no mundo dos blogs e redes sociais virtuais: somos iguais, somos companheiras, interlocutoras – que discordam e concordam, mas que se escutam. Fazemos amizades, cultivamos os momentos e sentimentos mais preciosos da maternidade, e compartilhamos com muito orgulho as conquistas de nossos filhos.
Assim, penso que o medo da exposição é normal e não deve ser subestimado – precisamos aprender a lidar com ele, inclusive tomando alguns cuidados com o blog – mas ele não deve ser usado para desqualificar o nosso “mundo coletivo”. Saiba que a sua experiência relatada rede afora tem ajudado outras pessoas – como eu! Saiba que o Manifesto pela Valorização da Maternidadenasceu da vivência de três mães blogueiras que já dividiram conosco suas mais intensas experiências, e que outro manifesto está a caminho… dessa vez escrito por mais mãos de mães engajadas!
(…) esse fenômeno dos blogs maternos tem tudo à ver com cidadania. Se queremos dividir nossas vidas privadas é porque começamos a reconhecer nos outros as mesmas questões e necessidades, e passamos a transformar problemas individuais em demandas coletivas. Explorar a imagem da criança é o que a mídia, a tv, as grandes marcas fazem. Nós queremos um outro mundo, e estamos buscando-o, no dia dia de mulheres altamente atarefadas!













Como sempre, há críticos para tudo e cada vez mais aparacem os “neuróticos” apontando os riscos e perigos presentes em todos os cantos. Tais pessoas parecem ter medo da própria sombra, e ignoram o fato de que os agentes nocivos – sejam eles quais forem – estão no mundo real, e não apenas na Internet. A Web é só um reflexo do mundo físico em que vivemos; é uma rede de pessoas. Criar um clima de terror e medo envolvendo a Internet é um tanto quanto exagerado e preconceituoso.
Abraços – Ana Paula
Comentário by Roupas de Bebe — 24 de fevereiro de 2011 @ 23:31